Doppelpass | 21.12.2025:
3 Faltas. 3 Imagens. Uma verdade.
Dezembro 23, 2025
Sobre o Doppelpass, a interpretação das faltas e a segurança dos jogadores no futebol profissional
Sou um grande fã do programa Doppelpass. Na minha opinião, é um dos programas de TV sobre futebol mais interessantes da Alemanha, porque ali se discute regularmente um espectro amplo e bem diferenciado de temas relacionados com o futebol alemão.
No entanto, no último programa também foi analisada uma jogada que, do nosso ponto de vista, toca num problema fundamental e altamente relevante:
uma falta clássica dentro da área sobre Beier (BVB).
No debate em estúdio, entre seis participantes, apenas uma pessoa partilhou a nossa avaliação e reconheceu claramente o contacto sobre Beier na área como falta.
Aqui não se trata de um lance isolado, mas de padrões fundamentais de comportamento no duelo um contra um no futebol. Esses padrões afetam praticamente todas as situações de jogo:
- cada duelo um contra um,
- cada drible,
- cada primeiro toque/controlo de bola,
- cada mudança de direção com a bola.
O que é decisivo é a interpretação correta por parte dos árbitros, porque disso depende diretamente a saúde e a segurança dos jogadores. As faltas envolvendo Musiala e Hakimi mostram de forma exemplar quão perigosas podem ser avaliações incorretas nestas situações.
O que têm em comum as três situações apresentadas?
Em poucas palavras:
o adversário não joga a bola, mas atinge o pé do jogador com bola que já está apoiado no chão.
Não deveria importar se o jogador com bola está a proteger a bola de forma consciente ou não. A única pergunta decisiva é:
Quem coloca primeiro o pé nessa posição?
1. FC Bayern – Paris Saint-Germain: falta sobre Hakimi
No jogo FC Bayern contra Paris Saint-Germain, Hakimi sofreu falta de Luis Díaz.
Hakimi passa pelo adversário com a bola. Durante a condução, mantém o pé esquerdo no chão por um instante a mais para proteger a bola do adversário. Nesse exato momento, é atingido por trás na perna.
O que é importante aqui:
- O lance ocorreu aproximadamente no meio-campo.
- Hakimi podia razoavelmente assumir que uma falta desse tipo não ocorreria ali.
É plausível que Hakimi se comportasse de forma diferente mais perto da grande área—com mais cautela, no sentido de que ali seria mais provável antecipar um ataque ao pé.
2. Borussia Dortmund – Borussia Mönchengladbach: falta sobre Beier dentro da área
No Borussia Dortmund contra Borussia Mönchengladbach, Beier sofre falta dentro da área.
Num um contra um, controla a bola e desloca-se para a direita. Enquanto corre, é atingido no pé esquerdo.
Pontos decisivos:
- Beier é o jogador que apoia primeiro o pé no chão.
- O facto de ele ter em mente proteger a bola é irrelevante para a avaliação.
No futebol, aplica-se o seguinte:
quando um jogador corre—even que por um instante muito breve—com todo o peso do corpo sobre uma só perna, e nesse momento sente o contacto do pé do adversário, ele deve cair para evitar uma lesão grave o mais rapidamente possível.
Se permanecesse de pé, o risco de lesão seria elevado—tal como nas faltas envolvendo Musiala e Hakimi.
3. Musiala: estilo de drible e a falta de Donnarumma
Antes de abordarmos a falta em si, uma breve nota sobre o estilo particular de jogo de Musiala.
Do nosso artigo de 24.09.2021:
«O que merece ser destacado no seu jogo:
Ele consegue driblar de forma extremamente eficiente a alta velocidade.
Para isso, procura sempre o caminho mais curto até ao objetivo—muitas vezes conduz a bola quase em linha reta, sem desvios.
A sua técnica de drible lembra os maiores jogadores da história do futebol, como Pelé, Maradona ou Messi.
Comparamos exclusivamente as suas capacidades de drible.»
O drible de Musiala caracteriza-se pela forma como posiciona os pés ao conduzir a bola, de modo a manter a bola constantemente protegida. Mentalmente, ele está sempre um passo à frente do adversário.
Esse mesmo estilo contribuiu para a situação perigosa no jogo FC Bayern vs PSG, em que Musiala sofreu múltiplas lesões no pé.
Não foi um “incidente de futebol” típico, comparável a um “racing incident” na Fórmula 1, em que ninguém tem claramente culpa.
Aqui, ambos chegam quase ao mesmo tempo à bola—mas Donnarumma entra e atravessa ambos os pés de Musiala para a alcançar.
Isso significa:
- o guarda-redes coloca o seu corpo numa posição
- para chegar à bola ao mesmo tempo, ou até uma fração antes,
- aceitando conscientemente o risco de lesão para o adversário.
E foi exatamente isso que aconteceu.
Conclusão
Se, num duelo, um jogador atingir o pé do adversário que já está apoiado no chão antes de—ou em vez de—jogar a bola, a jogada deve ser assinalada como falta, independentemente de o portador da bola estar a proteger a bola ou não.
análise futebol Doppelpass; interpretação de faltas na área; segurança do jogador no futebol profissional; avaliação do duelo um contra um; critérios de arbitragem e lesões