Como lidar mentalmente com uma pandemia?

Neuroplasticidade: a capacidade de adaptação do cérebro

O cérebro e o sistema nervoso funcionam como uma máquina adaptativa. Se, mentalmente, você estiver numa estrada de cascalho, o veículo se transforma em um jipe; se estiver numa pista de Fórmula 1, em um carro de corrida. Essa propriedade da neuroplasticidade ajuda a explicar por que a espécie humana consegue adaptar-se a ambientes muito diferentes e enfrentar grandes crises. O primeiro passo é tomar consciência dessa capacidade.

Encontrar sentido em uma crise global

Como seres humanos, temos a capacidade consciente de regular de forma subjetiva as recompensas ligadas à dopamina. Em períodos de crise, esse mecanismo pode desempenhar um papel importante. Huberman cita exemplos como Viktor Frankl e Nelson Mandela, que, em condições extremas, desenvolveram recursos internos que lhes permitiram não apenas sobreviver, mas também preservar um sentido de propósito diante das adversidades.

Encontrar propósito à sombra da pandemia

Superar dificuldades como a pandemia de coronavírus exige aprender a reconhecer e dosar as próprias recompensas. Metas pequenas, progresso perceptível e atividades com significado podem ajudar a reconstruir a sensação de direção quando o futuro parece incerto.

Viver com decepções e contratempos

Huberman explica o chamado erro de previsão de recompensa: a diferença entre aquilo que esperamos e o resultado que realmente acontece. Quando uma nova onda da pandemia volta a piorar a situação, precisamos lidar com a frustração sem abandonar nossos objetivos. A expectativa não deve produzir uma recompensa emocional maior do que a própria realização da meta. Esse equilíbrio é especialmente importante em tempos de crise.

Como amigos e familiares influenciam positivamente o cérebro

Em momentos difíceis, mensageiros químicos como serotonina e oxitocina ajudam a criar uma sensação de bem-estar e proximidade emocional. Eles podem ser liberados durante encontros e conversas com pessoas queridas ou mesmo quando vemos objetos carregados de significado. Esses processos ativam circuitos neurais que conectam o cérebro ao restante do corpo e podem gerar uma sensação de acolhimento. Por isso, manter vínculos sociais é especialmente valioso durante uma pandemia.

Estresse e a pandemia de COVID-19

Muitas pessoas sentem-se sobrecarregadas e exaustas porque passaram a funcionar com muito mais frequência em modo de processamento sequencial. Antes, levantávamos, escovávamos os dentes, olhávamos o telefone e começávamos o dia. Durante a pandemia, até ações comuns – tocar uma maçaneta ou comprar alimentos – passaram a exigir planejamento e avaliação.

Vivemos, assim, em um estado de profunda incerteza. O cérebro procura compreender principalmente três coisas: quanto tempo a crise vai durar, qual é o caminho para atravessá-la e qual será o resultado. O sistema nervoso trabalha intensamente para antecipar o que vem a seguir e como devemos agir. Essa ativação, porém, também pode ser direcionada de maneira construtiva para criar novos hábitos e fortalecer outras áreas da vida.

A pandemia terminará. O desafio é usar nossa capacidade de adaptação, preservar os vínculos e sair da crise mais conscientes e mais fortes.