PODERÁ A PEP GUARDIOLA VOLTAR A GANHAR A LIGA DOS CAMPEÕES COM UMA EQUIPA QUE NÃO A FC BARCELONA?
setembro 21, 2020
Escrito em 15 de maio de 2016
Pep Guardiola conseguirá algum dia vencer a Liga dos Campeões com uma equipe que não seja o FC Barcelona?
Três anos de Pep Guardiola no Bayern de Munique – sucesso ou uma grande decepção?
Após um período extremamente bem-sucedido com diversos títulos conquistados no FC Barcelona, Pep Guardiola chegou a Munique em 2013. Logo em sua segunda experiência como treinador, assumiu um clube que historicamente foi tão bem-sucedido quanto o Barcelona e que havia conquistado a tríplice coroa europeia sob o comando de Jupp Heynckes apenas alguns meses antes. O Bayern havia acabado de realizar a temporada mais vitoriosa de sua história.
Mas o que fez Guardiola?
Desde o início, avaliou mal os pontos fortes do elenco do Bayern. O estilo de jogo da temporada do triplete sob Heynckes era marcado por uma tática brilhante, perfeitamente adaptada à equipe. Com esse sistema, o Bayern derrotou o Barcelona por 7 a 0 no placar agregado. Embora Guardiola já não treinasse mais o Barça naquela época, ele havia influenciado significativamente o estilo Tiki-Taka que o clube praticava. Heynckes, por outro lado, já havia compreendido como neutralizar esse tipo de jogo de forma eficaz.
Ao assumir o comando, Guardiola reformulou completamente a estrutura da equipe e substituiu o futebol bem-sucedido de Heynckes — que combinava tática moderna, contra-ataques rápidos e pressão coletiva — pelo seu sistema de posse de bola. Sua inflexibilidade e obsessão por suas próprias ideias ficaram claras rapidamente, especialmente com a saída de Toni Kroos, que se tornou um dos jogadores mais importantes do Real Madrid. O argumento de Guardiola de que Kroos queria sair soa pouco convincente. Qualquer treinador de elite teria lutado para manter um jogador como ele.
Era mesmo necessário que Bastian Schweinsteiger saísse também? Como suplente na segunda etapa, ele ainda poderia ter sido valioso. Na Copa do Mundo de 2014, ele foi um dos três melhores jogadores da Alemanha nos dois jogos finais. Um grande treinador precisa ter não apenas capacidades táticas e psicológicas, mas também visão — e saber quando um jogador como Schweinsteiger pode ser decisivo em partidas importantes.
Não é à toa que a imprensa esportiva alemã frequentemente dizia que mesmo um treinador menos competente teria vencido o campeonato com aquele elenco.
A Liga dos Campeões, no entanto, foi o verdadeiro desafio. A partir das quartas de final ou semifinais, não é apenas a qualidade individual dos jogadores que conta — pois as equipes geralmente estão equilibradas nesse nível. O que se torna decisivo é:
Um planejamento tático superior, baseado nos jogos anteriores e na análise do adversário. Se o time treina quase exclusivamente posse de bola, faltam componentes como o jogo de transição.
Uma estrutura coletiva funcional, na qual todos saibam o que fazer, quando e onde.
Evitar posições mal preenchidas — uma única peça fora do lugar pode desestabilizar toda a equipe.
Um time entrosado, com energia renovada, alegria em campo e um sistema global de fair play.
Tudo isso é responsabilidade do treinador. Se foi positivo ou não que o Bayern, nas duas primeiras temporadas sob Guardiola, tenha dominado tão cedo a Bundesliga — o que tirou a tensão necessária para os jogos decisivos da Champions — é algo questionável.
Como muitos desses fatores decisivos não foram devidamente considerados por Guardiola, o Bayern caiu três vezes nas semifinais: contra o Real Madrid (Ancelotti), o FC Barcelona (Luis Enrique) e o Atlético de Madrid (Diego Simeone). A derrota contra o Atlético foi especialmente dolorosa — Guardiola deixou Thomas Müller no banco no jogo de ida por razões táticas duvidosas. Um erro grave, pois Müller, ao lado de Lewandowski, formava o ataque mais perigoso da Europa naquela temporada. O impacto psicológico dessa exclusão sobre Müller nos jogos seguintes não pode ser subestimado.
Alguns especialistas afirmam que Guardiola melhorou muitos jogadores. Nós discordamos. Nesse nível, os atletas devem aprimorar seus pontos fortes — não sofrer alterações em automatismos bem estabelecidos. Mudanças devem ser feitas com sensibilidade, especialmente quando os sistemas anteriores vinham dando certo.
Guardiola frequentemente escalou jogadores fora de suas posições ideais. Philipp Lahm, por exemplo, era um dos melhores defensores do mundo, mas mostrou desempenho apenas mediano no meio-campo. Lewandowski também só conseguiu se entrosar com Müller após a lesão de Robben — sem ajuda de Guardiola. O declínio de Mario Götze também cai sobre as costas do treinador. É difícil imaginar que um dos maiores talentos das últimas décadas tenha fracassado no Bayern sem que o técnico tenha alguma responsabilidade.
Aqui, o treinador precisa ser claro: ou confia no jogador, ou o deixa sair. Todo técnico tem o poder de desestabilizar seus atletas. Imagine se Messi ou Ronaldo tivessem sido constantemente deixados no banco, com sinais externos de desconfiança. Isso teria consequências psicológicas graves.
A regra segundo a qual algumas pessoas preferem estar “certas” do que alcançar o sucesso se aplica completamente a Guardiola.
Mesmo no mercado de transferências ele não foi sempre feliz. As contratações de Xabi Alonso, Benatia e Bernat não foram muito bem-sucedidas. Somente com Kingsley Coman e Arturo Vidal ele acertou — mas aí já era tarde.
Sejamos justos: nem tudo foi ruim. Guardiola certamente trouxe um toque internacional à Bundesliga. Contra o principal adversário da época — o Borussia Dortmund — ele obteve bons resultados, algo que nem Heynckes conseguiu sempre. Ainda assim, esperávamos mais na Champions. Se ele tivesse explorado os pontos fortes naturais do time, ao menos um título europeu teria sido possível — e não apenas três semifinais.
Estamos curiosos para ver como Guardiola se sairá em Manchester. Uma coisa é certa: o sucesso é obrigatório se ele quiser manter sua reputação de “super treinador”.
